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Hemorragias: o que precisa de saber

O que é uma hemorragia e porque acontece? Existem medicamentos que aumentam a probabilidade de sangramento? Hoje iremos falar sobre isso mesmo.

Antes de falarmos de hemorragias é preciso recordar. O sistema cardiovascular é constituído pelo coração e vasos sanguíneos. O coração bombeia o sangue através dos vasos, que começam por ser grandes artérias até se irem ramificando em artérias cada vez mais pequenas (as arteríolas e os capilares sanguíneos), que envolvem os vários órgãos e tecidos e fornecem oxigénio e nutrientes. Quando o sangue extravasa de um vaso, estamos perante uma hemorragia.

Tipos de hemorragia

As hemorragias podem ser internas ou externas. Ocorrem quando um vaso está danificado e o sangue extravasa. As hemorragias externas são consequentes de cortes externos, na pele, que provocam sangramento.

 

Hemorragia interna

 

A hemorragia que ocorre internamente não é visível. Quando existe uma hemorragia interna extensa, é fundamental estar atento aos sintomas, nomeadamente:

 

 

Em casos mais graves:

 

  • Arrefecimento do corpo (principalmente nas mãos e pés);
  • Zumbidos;
  • Alteração do estado de consciência.

 

O trato digestivo, principalmente o estômago e intestino, podem ser um foco de hemorragia. Nesse caso, os sintomas podem incluir:

 

  • Hematémese, nome científico para a presença de sangue no vómito, normalmente quando a hemorragia tem origem no esófago ou estômago;
  • Hematoquézias, que significa sangue vivo nas fezes, normalmente quando o foco é do intestino grosso;
  • Melenas, que são fezes muito escuras devido a sangue digerido, fazendo-nos suspeitar de um foco mais «alto» no trato digestivo, como o esófago, estômago ou intestino delgado.

 

Sempre que exista suspeita de hemorragia interna, a ajuda médica deve ser procura de imediato! Deve ser feita investigação para que se identifique o foco da hemorragia e esta seja tratada.

 

Hemorragia externa

 

A hemorragia externa pode ser autolimitada, isto é, um pequeno corte que se resolve espontaneamente graças à capacidade de hemóstase do nosso organismo.

 

Por outro lado, se for um corte extenso (por exemplo, um acidente com algum objeto cortante), pode ser necessário intervenção cirúrgica com sutura (coser a ferida).

 

Estando perado uma hemorragia externa, podemos estancar, idealmente com compressas, aplicando sempre novas compressas sem retirar as antigas. Perante um objeto encarcerado, por exemplo, em acidentes de viação, não devemos nunca retirar o objeto do corpo até chegar ajuda médica. Nos casos de hemorragia do braço ou membro, a aplicação de um garrote pode ser útil. Estas são apenas algumas dicas, que não devem atrasar a chamada de ajuda, ligando ao 112 ou dirigindo-se ao serviço de urgência.

Hemostasia: o que é?

A hemostasia é um conjunto de mecanismos do nosso próprio corpo para prevenir hemorragias. É natural que os pequenos vasos sofram ruturas, pelo que o próprio sangue tem sistemas que impedem que a hemorragia fique descontrolada.

 

Inicialmente, o próprio vaso possui substâncias que ajudam a estancar o sangramento. Depois, elementos como as plaquetas atuam e formam o chamado «tampão plaquetário», prevenindo o extravasamento sanguíneo. Numa fase mais avançada, entram em ação os fatores de coagulação, que são substâncias no sangue que vão iniciar a formação de um coágulo, ou trombo, prevenindo a hemorragia, e que depois é dissolvido.

 

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Alerta AVC hemorrágico!

Causas de hemorragia

As causas mais comuns de hemorragia, incluem:

 

Trauma

 

O trauma engloba tudo o que sejam lesões físicas, por exemplo: acidentes, contusões, lacerações ou cortes, etc.

 

Doenças

 

Algumas doenças podem aumentar o risco de hemorragia. Entre elas, destacamos:

 

  • Hemofilia: uma doença do sangue que afeta a coagulação, aumentado a propensão para hemorragias;
  • Trombocitopénia: número baixo de plaquetas. As plaquetas participam na coagulação do sangue, pelo que, quando insuficientes, pode significar um aumento de hemorragias;
  • Doença de von Willebrand: o fator de von Willebrand é um elemento do sangue que ajuda na formação do tampão plaquetário. Na doença de von Willebrand existe uma diminuição ou ausência deste fator, aumentando o risco hemorrágico;
  • Certas doenças do fígado;
  • Cancro.

 

Medicamentos

 

Certos medicamentos interferem na capacidade do nosso sangue coagular. Os mais importantes são a classe dos anticoagulantes e dos antiplaquetários ou antiagregantes.

 

  • Anticoagulantes: interferem com a coagulação e impedem a formação de trombos. São fundamentais na prevenção de trombos em certas doenças, como a fibrilhação auricular ou após uma trombose venosa.
  • Antiplaquetários ou antiagregantes: interferem com o mecanismo de ação das plaquetas, prevenindo tromboses. Após um enfarte, é necessário iniciar esta medicação para prevenir um novo.
  • Anti-inflamatórios: são uma classe de medicamentos aumentam o risco hemorrágico. Como tal, é importante que não se utilizem de forma crónica, mas apenas por pequenos períodos de tempo.

Risco hemorrágico: o que é?

Falamos de risco hemorrágico quando nos queremos referir ao risco de vir a sofrer uma hemorragia. Para além das doenças que falámos anteriormente, o risco hemorrágico estima-se através da presença ou ausência de certos fatores, que são:

 

  • Hipertensão arterial;
  • Presença de doença de rim ou de fígado;
  • História prévia de acidente vascular cerebral (AVC);
  • História anterior de grande hemorragia;
  • Uso crónico de medicação que predispõe hemorragias;
  • Idade superior a 65 anos;
  • Abuso crónico do álcool.

Tomo medicamentos para tornar o sangue fino: estou em risco de hemorragia?

Existem doenças que tornam essencial o uso de anticoagulantes. Vulgarmente, são conhecidos como medicamentos para «tornar o sangue mais fininho». A finalidade é prevenir o aparecimento de tromboses, ao diminuir a propensão de formar coágulos (também conhecidos como trombos).

 

As tromboses possuem consequências graves para a nossa saúde, pelo que, quando há indicação para a toma de medicamentos anticoagulantes ou antiplaquetários, é essencial cumprir.

 

Naturalmente, um dos efeitos secundários desses medicamentos é o aumento da hemorragia. Mas não significa que terá uma hemorragia extensa, apenas pode experienciar mais facilidade em ter hematomas, sangrar do nariz ou mais dificuldade em estancar pequenos cortes. Normalmente, quem faz medicação anticoagulante ou antiplaquetária necessita de equilibrar a hemostasia do organismo que, por alguma doença ou condição, está comprometida.

 

Os cuidados essenciais para quem faz esse tipo de medicação, incluem:

 

  • Ser acompanhado regularmente pelo médico;
  • Antes de algum procedimento cirúrgico, incluindo procedimentos dentários, refira a medicação que faz, pois pode ser necessário suspender;
  • Após uma queda grave, principalmente traumatismos cranianos, deve ser avaliado em contexto hospitalar, para descartar hemorragia interna.

 

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Referências
  • Direção-Geral de Educação (DGE)

  • Healthline

  • MDCalc

  • DynaMed

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