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Anemia aumenta o risco cardiovascular?

Se as doenças cardiovasculares estão relacionadas com o coração e os vasos sanguíneos, e a anemia é uma doença do sangue… Será que pode estar relacionada com o risco cardiovascular? Leia este artigo e descubra a resposta.

A anemia é uma doença onde o número de células vermelhas do sangue é inferior ao normal. São precisamente estas células (os glóbulos vermelhos) as responsáveis por «agarrar» e transportar o oxigénio a todo o corpo, através de uma proteína chamada hemoglobina. Ora, se os níveis de hemoglobina são baixos, o oxigénio não tem maneira de chegar aos órgãos e tecidos em quantidade suficiente. Será que isto influencia o risco cardiovascular?

Entender a anemia

A anemia é uma doença do sangue bastante comum. Afeta cerca de 20% dos portugueses e a maioria dos afetados não sabe que tem a doença. Existem várias origens possíveis para a anemia:

 

  • Herança genética, ou seja, passada através dos genes.
  • Deficiência em ferro – mais comum nas mulheres, devido à perda de sangue durante o período menstrual e às exigências durante a gravidez.
  • Devido a doença renal ou por outras doenças crónicas.

 

Tipos e causas

 

A anemia pode ser causada por:

 

  • Perda de sangue

 

É característica de pessoas com úlceras, gastrite ou hemorróidas. A perda de sangue é lenta e muitas vezes imperceptível. Também pode aparecer em pessoas que consomem grandes quantidades de ibuprofeno e ácido acetilsalicílico (comuns em alguns medicamentos), pela probabilidade de formação de úlceras. Pode ocorrer ainda em mulheres com um fluxo menstrual abundante. Ou até depois de um trauma físico ou cirurgia.

 

  • Baixa produção ou alterações nos glóbulos vermelhos

 

Neste caso, o corpo não produz células vermelhas suficientes ou estas apresentam alguma deficiência física que compromete a sua eficácia. Pode acontecer devido a:

 

    • um problema na medula (onde os glóbulos são produzidos);
    • por deficiência em ferro ou vitaminas, como a B12 e os folatos (comum em dietas vegetarianas);
    • deformações na forma ou tamanho das células (anemia falciforme, por exemplo);
    • presença de outras doenças, como doença renal, hipotiroidismo, cancro, lúpus, etc. que comprometem a produção dos glóbulos vermelhos.

 

  • Destruição dos glóbulos vermelhos

 

Quando os glóbulos vermelhos são frágeis, podem ser destruídos ao viajar pelos vasos sanguíneos, sem chegar ao seu destino. Doenças como o lúpus, determinadas condições genéticas, toxinas, infeções, tumores, entre outros fatores, podem estar na origem desta destruição.

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Sintomas da doença

 

Nas pessoas com anemia, os órgãos não recebem a quantidade de oxigénio suficiente para o seu funcionamento. Por isso, o principal sintoma é um cansaço extremo, sem razão aparente. Outros sintomas incluem:

 

  • falta de ar;
  • tonturas;
  • batimento cardíaco acelerado;
  • dor de cabeça;
  • dores nos ossos, articulações, peito e barriga;
  • tom de pele pálido ou amarelado;
  • mãos e pés constantemente frios;
  • fraqueza e fadiga;
  • problemas de crescimento.

Anemia e doenças cardiovasculares

As doenças cardiovasculares são todas aquelas que afetam o coração e os vasos sanguíneos. Infelizmente, existem muitas causas e fatores de risco que podem originar uma doença cardiovascular.

 

A anemia como fator de risco – hipóteses

 

Apesar de normalmente não ser considerada junto dos fatores de risco tradicionais, a verdade é que a anemia também pode fazer parte desta lista. Alguns estudos demonstram que devido às características da doença, o corpo tenta compensar a falta de oxigénio nos órgãos e tecidos através de outros mecanismos. Estes acabam por supor uma carga maior para o coração. Por isso, as suas paredes começam a ficar mais espessas o que pode levar à insuficiência cardíaca ou à doença cardíaca isquémica.

 

Por outro lado, este esforço sobre o coração também tem efeitos ao nível da parede das artérias e veias. Devido à pressão exercida, estas começam a endurecer e a oferecer maior resistência à passagem do sangue. O que por sua vez também contribui para a doença cardíaca.

 

E o que ainda não sabemos

 

Níveis elevados de deficiência em ferro também podem estar associados a um maior risco cardiovascular. Mas as conclusões não são definitivas. A deficiência em ferro está muitas vezes associada a problemas de saúde e deficiências nutricionais. Ou seja, por enquanto não foi possível determinar se os baixos níveis de ferro no sangue aumentam diretamente o risco, ou são apenas sinal de que existe outra condição ou doença que leva a esse aumento.

 

Já em doentes com diabetes, a anemia pode ser considerada um fator de risco primário para doença cardiovascular. Além disso, pode levar à morte dos doentes que, além de diabetes, têm doença renal crónica.

 

No entanto, a verdade é que o papel da anemia no desenvolvimento de doença cardiovascular ainda não está bem definido. Embora existam estudos que sugerem uma associação entre ambas as patologias, isto não significa que a anemia seja uma causa direta e tratável de doença cardiovascular. Pode, isso sim, estar associada a outros fatores como a inflamação ou ser um marcador de uma doença cardíaca pré-existente grave, o que por sua vez contribui para o aumento do risco cardiovascular.

 

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Referências
  • WebMD

  • TSF

  • Kidney International

  • Journal of the American Society of Nephrology

  • Current Atherosclerosis Report

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