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Qual a relação entre intestino e coração?

No nosso corpo, o todo é mesmo a soma das partes. Nenhuma é independente. Estão intimamente ligadas entre si. Células, fluidos, órgãos, microrganismos… Articulam-se de forma simbiótica para que tudo funcione. Para que cada função seja cumprida. Neste artigo, fique a conhecer a relação entre intestino e coração.

Sabe-se que a saúde do sistema digestivo está intimamente ligada ao nosso sistema imunitário. Mas será que também pode contribuir para uma melhor saúde cardiovascular? Estudos recentes indicam que sim: intestino e coração estão intimamente ligados.

Microbioma – os micróbios benéficos

 

O nosso corpo é casa de milhões de microrganismos que têm um papel fundamental no seu bom funcionamento. A grande maioria destas bactérias, vírus e fungos vive nos nossos intestinos. Compõem o nosso microbioma. Ajudam na digestão, produzem nutrientes e libertam substâncias do seu próprio metabolismo (metabolitos) que têm efeitos positivos na nossa saúde.

 

As interações destes microrganismos com o nosso organismo envolvem vias inflamatórias e metabólicas. Num estado normal, esta relação seria saudável. No entanto, em determinadas condições, pode provocar doenças do sistema imunitário e até doenças metabólicas como a diabetes e a obesidade. Nos últimos anos, a evidência científica tem demonstrado que as alterações ao microbioma intestinal podem ter um papel importante na doença cardiovascular.

Somos o que comemos – a relação entre intestino e coração

A nossa alimentação influencia diretamente a composição do nosso microbioma intestinal. Por sua vez, os metabolitos produzidos pelo microbioma intestinal influenciam diversos fatores de risco cardiovascular. Diabetes, hipertensão e inflamação são os principais. É portanto daqui que surge a forte relação entre intestino e coração.

 

Metabolitos e saúde cardiovascular

 

Estudos recentes mostram que pessoas com uma alimentação rica em carnes vermelhas, peixe, aves e ovos têm uma maior concentração de trimetilamina (TMA). Este metabolito forma-se quando o nosso microbioma se alimenta desses alimentos. O problema é que acaba por ser convertido noutra substância responsável pela formação de placas e o entupimento das artérias.

 

Outros estudos têm demonstrado que a atividade dos microrganismos do nosso intestino influencia o estado de inflamação do organismo. Dietas pobres em fibra acabam por comprometer a barreira do intestino. Assim, permitem a libertação de substâncias tóxicas que causam inflamação dos tecidos. Com o passar do tempo, este estado de inflamação tem efeitos nas paredes dos vasos sanguíneos. Nomeadamente, das artérias. Como resultado, dá-se a formação de placas e o enrijecimento das paredes, o que compromete o fluxo sanguíneo. Isto pode levar à ocorrência de doença arterial coronária, ataque cardíaco e AVC.

 

Por outro lado, observa-se que pessoas com uma alimentação rica em fibras têm um microbioma que promove um melhor controlo da glicemia e do peso. Isto é benéfico para todos, e uma enorme ajuda para quem tem diabetes.

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Probióticos – sim ou não?

 

Os probióticos são bactérias ativas que se encontram nos iogurtes, alimentos fermentados e suplementos alimentares. No entanto, o seu benefício em doenças crónicas ainda não está bem estipulado. Além disso, não está provado que tenham qualquer efeito na redução do endurecimento das paredes das artérias, inflamação e eventos cardiovasculares.

 

Mas estes alimentos podem ajudar a regular o trânsito intestinal e até se tem demonstrado que ajudam a reduzir o colesterol. Portanto, mesmo não sendo milagrosos, podem ter alguns efeitos benéficos no organismo.

 

O microbioma intestinal é uma entidade extremamente complexa. Além disso, há que ter em conta a influência da alimentação, medicação e outras doenças nos processos que desencadeiam a doença cardiovascular. São necessários mais estudos colaborativos, de várias áreas da ciência e medicina, para aprofundar os nossos conhecimentos e entender cada vez melhor a relação entre intestino e coração.

 

Por fim, junte-se à comunidade Cardio 365º!

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