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Os números globais da doença cardiovascular

Neste artigo, descubra alguns factos interessantes sobre a doença cardiovascular um pouco por todo o mundo. Conheça os números globais e perceba o porquê de algumas situações afetarem mais determinadas pessoas.

Sabia que a doença cardiovascular é a principal causa de morte entre as mulheres em todo o mundo? E que apesar de todos os avanços dos últimos anos, e de muitas vezes ser possível de prevenir através da adoção de estilos de vida saudáveis, continua a ser a primeira causa de morte global em Portugal? A maioria das mortes por doença cardiovascular deve-se a eventos como ataques cardíacos ou AVC. Um terço das quais afeta pessoas com menos de 70 anos. Existem muitos motivos para estes números globais de doença cardiovascular. Neste artigo tentaremos explicar alguns.

O que é a doença cardiovascular

Basicamente, é toda e qualquer doença que afete o coração (cardio) e os vasos sanguíneos (vascular). É normalmente causada por um conjunto de fatores de risco que comprometem o funcionamento destes órgãos e podem levar a consequências graves. É possível que estes fatores lhe sejam familiares:

 

  • Colesterol elevado – afeta cerca de 30% dos portugueses.
  • Hipertensão (tensão alta) – um problema de 40% da população.
  • Excesso de peso e obesidade – mais de 50% dos portugueses estão acima do seu peso ideal.
  • Sedentarismo – 41,8% da população não faz qualquer tipo de atividade física regular.
  • Tabagismo – 25% dos portugueses fuma.
  • Diabetes – uma doença que atinge 13% da população entre os 20 e os 79 anos.
  • Consumo excessivo de álcool – 24,3% dos homens consomem frequentemente álcool em excesso.

 

Normalmente o que acontece na doença cardiovascular é que as artérias que alimentam o coração e/ ou o cérebro ficam danificadas ou «entupidas». Por isso, o sangue, que transporta oxigénio e nutrientes, não consegue chegar a esses órgãos. Como consequências graves, ocorrem os enfartes (ataques de coração) e os AVC.

 

Números globais associados à redução dos fatores de risco

 

Muitos dos fatores de risco para a doença cardiovascular podem ser reduzidos ou até mesmo eliminados com a adoção de estilos de vida saudáveis que permitam atingir alguns objetivos. Fixe estes números:

 

  • Pressão arterial: inferior a 140/90 mmHg.
  • Glicémia (nível de açúcar no sangue) em jejum: inferior a 100mg/dL.
  • Índice de massa corporal: inferior a 25 Kg/m2.
  • Colesterol:
    • Total: inferior a 190mg/dL.
    • LDL (o «mau colesterol»): inferior a 115mg/dL.
    • HDL (o «bom colesterol»): maior ou igual a 50mg/dL para as mulheres; maior ou igual a 40mg/dL para os homens.

 

Adotar um estilo de vida saudável não é assim tão difícil. Muitas vezes, é suficiente:

 

  • Optar por alimentos não processados na maioria das refeições (carne, peixe, cereais integrais, frutas e legumes).
  • Não fumar.
  • Moderar o consumo de álcool.
  • Combater o stresse adotando bons hábitos de sono, meditando, fazendo exercício físico.
  • Praticar atividade física durante pelo menos 30 minutos por dia, 5 vezes por semana.
  • Perder cerca de 10% do peso corporal, no caso de se ter excesso de peso.

 

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104.

Factos e números sobre a doença cardiovascular em Portugal

5 factos e curiosidades sobre a doença cardiovascular no Mundo

 

1. As doenças cardiovasculares são responsáveis por 35% das mortes entre as mulheres, no mundo

 

Segundo os investigadores de um estudo publicado pela revista The Lancet, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte das mulheres no mundo. 47% das mortes devem-se a isquemia cardíaca e 36% a acidentes vasculares cerebrais.

 

Os fatores de risco que levam a esta prevalência entre as mulheres são a hipertensão, o colesterol elevado, a menopausa precoce e as complicações na gravidez. No entanto, o maior obstáculo à sua prevenção é o facto de as doenças cardiovasculares serem pouco reconhecidas e pouco estudadas nas mulheres. Daí estes números globais.

 

2. 11,9% dos residentes em Portugal apresentam RCV muito elevado

 

Segundo um estudo do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, 443 mil residentes em Portugal entre os 40 e os 65 anos apresentam um risco cardiovascular (RCV) muito elevado. Outros dados interessantes deste estudo indicam que o RCV é mais frequente:

 

  • Na Região Autónoma dos Açores – 14,4%.
  • Nas pessoas com nenhuma ou com apenas o 1.º ciclo de escolaridade – 20,1%.
  • Nos homens – 15,6%.
  • Entre os 60 e os 65 anos – 25,6%.
  • Naqueles sem qualquer atividade profissional – 21,6%.

 

3. Cerca de 12% das vítimas de ataque de coração, acaba por morrer

 

E a maioria são mulheres, já que têm mais probabilidade de ter um ataque cardíaco fatal do que os homens.

 

De acordo com a American Heart Association, 26% das mulheres acabam por falecer no espaço de um ano depois de um ataque cardíaco, em comparação com 19% dos homens. E se contarmos um espaço de 5 anos, estas percentagens aumentam para 50% vs. 36%, respetivamente.

 

4. A doença cardiovascular é responsável por 45% das mortes na Europa

 

É a principal causa de morte na região, superando o cancro e outras patologias. É também a principal causa de morte em pessoas com menos de 65 anos.

 

5. Prevenção, prevenção, prevenção

 

A maioria das doenças cardiovasculares são preveníveis. Basta para isso adotar estilos de vida saudáveis como os já referidos acima: não fumar, moderar o consumo de álcool, comer de forma equilibrada, manter um peso saudável e praticar atividade física de forma regular.

 

Apesar de serem a principal causa de morte em todo o mundo, são também das doenças não transmissíveis que mais se poderiam prevenir. Para que isso aconteça, cada um de nós deveria estar alerta e modificar alguns comportamentos. Por vezes, pode ser algo tão simples como fazer uma caminhada diária pelo bairro, trocar as bolachas por uma peça de fruta à hora do lanche e passar a comer muito mais comida caseira, em detrimento dos pré-cozinhados.

 

O coração é o primeiro dos nossos órgãos a formar-se. Bastam 16 dias após a conceção para ele bater pela primeira vez. É literalmente, o motor do nosso corpo. Cuidemos dele para conseguirmos chegar o mais longe possível. E evitar estes números globais. 

Referências
  • Público

  • Revista Portuguesa de Cardiologia

  • Organização Mundial de Saúde

  • INSA – Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge

  • Healthline

  • European Society of Cardiology

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