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O que é um derrame pericárdico?

O pericárdio é um conjunto de camadas, com um líquido envolvente, que protege o nosso coração. Quando um excesso de líquido se acumula, estamos perante um derrame pericárdico. E hoje iremos conhecer as suas causas, sintomas e se existe tratamento.

Um derrame pericárdico significa que líquido se acumulou em excesso nas camadas à volta do coração, constituintes do pericárdio. Mas, antes de mais, falemos sobre o pericárdio.

O que é o pericárdio?

O pericárdio é um saco fibroso preenchido por líquido que envolve o nosso coração. Tem 2 camadas, uma mais externa ao coração – o pericárdio fibroso –, e outra mais «colada» ao coração – o pericárdio seroso. Entre elas existe uma camada fina de líquido, que permite a lubrificação do pericárdio. O pericárdio possuí funções importantes, entre elas:

 

  • Manter o coração posicionado, pois a camada de pericárdio fibroso está ligada ao diafragma;
  • Evitar o enchimento excessivo, já que a camada fibrosa evita a extensão exagerada;
  • Lubrificar e reduzir o atrito provocado pela contração cardíaca;
  • Proteger o coração de infeções.

Derrame pericárdico: tudo o que precisa saber

Os sintomas do derrame pericárdico dependem da velocidade a que o líquido se acumula no pericárdio. Se o derrame se instalar de forma súbita, pode originar logo sintomas e deve atuar-se rapidamente. Quando o derrame ocorre lentamente, os sintomas podem apenas aparecer passado semanas.

 

No entanto, uma grande percentagem de pessoas com derrame pericárdico não tem sintomas. Um derrame ligeiro e assintomático tem bom prognóstico e não requer, muitas vezes, tratamento ou monitorização.

 

Sintomas

 

O sintoma mais comum do derrame pericárdico é a falta de ar (ou dispneia), sobretudo, durante o esforço. Com o evoluir do quadro, a dispneia em esforço pode agravar para ortopneia, palavra utilizada para descrever falta de ar na posição deitada. Quando ocorre ortopneia, por vezes ,a pessoa tem de dormir sentada, com almofadas atrás das costas.

 

Outros sintomas menos típicos, mas que podem estar presentes, incluem:

 

  • Tosse;
  • Náuseas;
  • Dificuldade em engolir;
  • Rouquidão;
  • Soluços;
  • Desconforto no ombro.

 

Causas

 

Qualquer processo que cause uma inflamação no pericárdio pode originar um derrame pericárdico. Tal ocorre pela acumulação de líquido oriunda do processo inflamatório. Entre as causas mais frequentes, destacam-se:

 

  • trauma (por exemplo, um acidente);
  • pericardite (inflamação do pericárdio);
  • miocardite (inflamação do coração);
  • infeções bacterianas ou virais (como o VIH e a tuberculose);
  • cancro (ocorre mais frequentemente no cancro da mama, pulmão, tiróide, linfoma ou melanoma);
  • doenças auto-imunes, como lúpus, artrite reumatoide ou sarcoidose;
  • insuficiência cardíaca;
  • hipertensão pulmonar (significa pressão elevada nas artérias pulmonares).
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Diagnóstico

 

O diagnóstico de derrame pericárdico faz-se através de ecocardiograma. Por vezes podem ser necessário outros exames complementares, como radiografia de tórax, tomografia computadorizada ou análises ao sangue, para caracterizar melhor a extensão do derrame e a sua origem.

 

Quais as principais complicações?

 

A principal complicação de um derrame pericárdico é que se estenda o suficiente até causar tamponamento cardíaco. O tamponamento cardíaco é quando existe tanto líquido acumulado que o coração deixa de conseguir movimentar-se livremente, ficando contraído. Os 3 sintomas mais sugestivos de tamponamento cardíaco constituem a tríade de Beck:

 

  • Diminuição da pressão arterial;
  • Dilatação das veias do pescoço;
  • Diminuição dos sons cardíacos na auscultação.

 

A diminuição da pressão arterial ocorre porque, com a constrição do coração, a quantidade de sangue que o coração é capaz de bombear (débito cardíaco) diminui. Da mesma forma, a quantidade de sangue que retorna das veias, chamado de retorno venoso, também não é recebido da mesma maneira. Como tal, o coração acumula-se, causando a distenção das veias do pescoço, nomeadamente das veias jugulares. Outros sintomas incluem febre, aumento da frequência respiratória e aumento da frequência cardíaca.

 

Existe tratamento?

 

O uso de anti-inflamatórios faz parte do tratamento imediato. Dependendo da causa do derrame do pericárdio, mais abordagens poderão ser utilizadas. Deve ser evitado o exercício físico e o uso de anticoagulantes, para evitar um tamponamento cardíaco. No tamponamento cardíaco e nos derrames extensos, é realizada pericardiocentese, isto é, drenagem do líquido do pericárdio.

 

Por fim, junte-se à comunidade Cardio 365º!

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