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Um glossário da dislipidemia: adeus termos difíceis!

Colesterol diz-lhe alguma coisa? E dislipidemia, o que significa? Quer saber, de uma vez por todas, o que querem dizer? Bom, foi certamente você que pediu um glossário da dislipidemia!

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Se calhar já ouviu falar de dislipidemia. Ou é uma daquelas palavras que lhe dizem alguma coisa, mas são sabe de onde. Ou, por outro lado, sofre de dislipidemia e conhece o termo por experiência própria.

 

A compreensão do que está em causa quando se fala de dislipidemia não é, de facto, simples. Só que, sendo um dos fatores de risco mais importantes para o aparecimento de doenças cardiovasculares (isto é, a sua presença aumenta a probabilidade de se vir a desenvolver uma), é de elevada importância saber mais sobre ela.

 

Desta forma, como um dos problemas se prende com a quantidade de termos envolvidos na sua explicação, achámos adequado construir um glossário da dislipidemia. Em que optámos por não usar, contrariamente ao que é usual, uma ordem alfabética, mas uma ordem de sentido, por forma a facilitar a compreensão. Sempre que relevante, colocámos os valores de referência de alguns dos parâmetros definidos.

Um glossário da dislipidemia: de Gordura a Aterosclerose

(sim, assim mesmo por esta ordem)

 

  • Gordura

As gorduras (ou lípidos) são um macronutriente constituinte da alimentação. No contexto de uma alimentação saudável, as gorduras provenientes de diferentes alimentos são essenciais ao bom funcionamento do nosso organismo e, quando consumidas nas proporções recomendadas (não excedendo os 30% do valor energético diário), são bem toleradas e têm diversos efeitos benéficos. Existem vários tipos de gorduras.

 

  • Gordura Saturada

Um tipo de gordura, a gordura saturada reconhece-se geralmente pelo facto de ser sólida à temperatura ambiente. O consumo excessivo de gordura saturada está associado ao aumento do risco de doenças dos aparelhos circulatório e cardíaco. Exemplos de alimentos ricos em gordura saturada: manteiga, queijos gordos, produtos de salsicharia e charcutaria, óleo de palma, óleo de coco, gordura da carne de vaca, etc.

 

  • Gordura Insaturada

Outro tipo de gordura, ao contrário da gordura saturada reconhece-se, geralmente, pelo facto de ser líquida à temperatura ambiente. Há gorduras monoinsaturadas (as que melhor o nosso organismo tolera) e polinsaturadas (consideradas essenciais, porque o nosso organismo não as consegue sintetizar a partir de outras substâncias, tendo por isso de ser fornecidas pelo regime alimentar). O azeite é um bom exemplo de uma gordura monoinsaturada, enquanto peixes ricos em ómega-3 são um bom exemplo de uma fonte de gordura polinsaturada.

 

  • Colesterol

Mais um tipo de gordura, o colesterol encontra-se presente em todos os alimentos de origem animal, ainda que seja, maioritariamente, produzido pelo organismo, ao nível do fígado. Ao contrário do que muitas vezes se pensa, é absolutamente essencial ter colesterol para várias funções do organismo.

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58.

O perigo de ter o colesterol alto

  • Triglicéridos

Os triglicéridos, assim como o colesterol, são um tipo de gordura que circula no nosso organismo. São, na realidade, uma fonte de energia ao serem convertidos em glicose (açúcar) no fígado. A maior parte da gordura presente no nosso organismo está armazenada sob a forma de triglicéridos.

 

  • Lipoproteínas

O colesterol e os triglicéridos circulam no sangue ligados a proteínas. Esta ligação colesterol/triglicéridos-proteína designa-se por lipoproteína (lipo-, de lípido). Existem vários tipos, que se distinguem de acordo com a proporção de proteínas e gordura que as compõe, o que determina a sua densidade. Cada uma tem funções diferentes.

 

  • LDL

Um dos tipos de lipoproteína que se forma designa-se, em inglês, por low-density lipoprotein. Daí a sigla LDL. Em português, a tradução é lipoproteína de baixa densidade. A sua função é transportar o colesterol para as células que dele necessitam. Assim, cerca de 50% do seu peso é colesterol e 25% é proteína (o que as torna menos densas). Representa aquele que é também conhecido por «mau colesterol» pois, quando em excesso, oxida e deposita-se nas paredes das artérias, originando o seu endurecimento e obstrução, podendo levar a eventos cardiovasculares. A redução dos valores de LDL está associada a um melhor controlo da doença cardiovascular.

 

Valor-ótimo: < 115 mg/dL
(para pessoas saudáveis sem doença cardiovascular)

 

  • HDL

Outro dos tipos de lipoproteína que se forma designa-se, em inglês, por high-density lipoprotein. Daí a sigla HDL. Em português, a tradução é lipoproteína de alta densidade. A função desta é transportar o colesterol para o fígado onde é degradado e eliminado. Assim, cerca de 20% do seu peso é colesterol e 50% é proteína (o que as torna mais densas). Representa aquele que é também conhecido por «bom colesterol», pois remove o colesterol LDL da corrente sanguínea e das paredes das artérias.

 

Valores-ótimos:

 

  • > 40 mg/dL nos homens
  • > 45 mg/dL nas mulheres

 

  • VLDL

Um terceiro tipo de lipoproteína é a chamada, em inglês, very lowdensity lipoprotein. Daí a sigla VLDL. Em português, a tradução é lipoproteína de muito baixa densidade. A função desta é essencialmente transportar os triglicéridos para todas as partes do corpo. Assim, cerca de 70% do seu peso são triglicéridos e apenas 10% proteína (o que as torna as menos densas das lipoproteínas aqui descritas). Níveis elevados de VLDL contribuem para deposições elevadas de placas de gordura nas artérias.

 

  • Colesterol total

O colesterol total é a soma do colesterol das LDL, do colesterol das HDL e de um quinto (1/5) do nível de triglicéridos no sangue.

 

Valor-ótimo: < 190 mg/dL

 

  • Dislipidemia

Por vezes, e por diversas razões, dão-se anomalias quantitativas e/ou qualitativas destes lípidos no sangue. Um aumento do colesterol ou dos triglicéridos, um aumento do valor do LDL ou uma diminuição do valor do HDL ou a combinação de duas ou mais alterações são considerados dislipidemias. Qualquer tipo de dislipidemia representa, pois, um importante fator de risco cardiovascular, uma vez que a gordura acumulada nas paredes das artérias pode levar à obstrução parcial ou total do fluxo sanguíneo que chega ao coração e ao cérebro.

 

  • Hipercolesterolemia

Um aumento dos valores de colesterol total (CT) e/ou do LDL.

 

  • Hipolipidemia

Diminuição dos valores de HDL.

 

  • Hipertrigliceridemia

Aumento dos valores de triglicéridos.

 

  • Dislipidemia mista

Combinação de 2 fatores: o colesterol total elevado e/ou LDL elevados (hipercolesterolemia), em conjunto com o aumento dos níveis de triglicéridos (hipertrigliceridemia).

 

  • Dislipidemia primária

As dislipidemias podem ser caraterizadas de acordo com a sua causa ou predisposição. As dislipidemias primárias são de origem genética e hereditária, às quais se podem associar fatores ambientais e comportamentais.

 

  • Dislipidemia secundária

As dislipidemias podem ser caraterizadas de acordo com a sua causa ou predisposição. As dislipidemias secundárias são consequência da coexistência de outras doenças como a diabetes, a obesidade, o hipotiroidismo, a doença renal crónica, etc. Podem ainda estar associadas ao uso de certos fármacos e ainda a estilos de vida desequilibrados (má alimentação, falta de exercício físico, etc.).

 

  • Aterosclerose

A dislipidemia é um dos mais importantes fatores de risco da aterosclerose, a principal causa de morte dos países desenvolvidos, incluindo Portugal. Nesta doença, a gordura sanguínea acumula-se nas paredes das artérias, tornando-se sólida e formando placas que impedem a passagem do sangue e a irrigação do coração e do cérebro, levando a potenciais eventos cardiovasculares, como o enfarte agudo do miocárdio e o AVC (acidente vascular cerebral) isquémico.

 

Análises regulares prescritas pelo seu médico serão importantes para perceber os vários níveis dos parâmetros, como os níveis de LDL, que contribuem para o aparecimento de dislipidemias e, consequentemente, de doenças mais graves como o enfarte e o AVC. Do ponto de vista da prevenção, por exemplo, detetar uma hipercolesterolemia cedo pode ajudar em muito a evitar doenças mais graves no futuro. A dislipidemia não dói, nem se sente, até poder ser demasiado tarde. Siga os conselhos do seu médico e não se esqueça de tomar os seus medicamentos. Esteja atento!

 

Por fim, junte-se à comunidade Cardio 365º!

Referências
  • Associação Portuguesa de Nutrição (APN)

  • Fundação Portuguesa de Cardiologia (FPC)

  • Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge

  • Direção-Geral da Saúde (DGS)

  • METIS – Educação para a Saúde

  • Diabetes UK

  • Healthline

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