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O que é a doença vascular periférica?

Já ouviu falar na doença vascular periférica? Sabe como está relacionada com outras doenças cardiovasculares? Leia este artigo e aprofunde o seu conhecimento.

A doença vascular periférica é qualquer doença dos vasos sanguíneos (vascular) que ocorra na «periferia» do corpo. Ou seja, fora do coração e do cérebro. É mais frequente nos membros inferiores. No entanto, pode afetar quaisquer vasos do sistema circulatório. Ainda assim, a mais comum é a doença arterial periférica, que afeta as artérias. Tanto que muitas vezes os termos são usados como sinónimos. Estima-se que afete 3 a 10% da população e é mais prevalente a partir dos 50 anos.

Doença vascular periférica: uma estreita relação com a doença cardiovascular

A causa mais comum da doença vascular periférica é a aterosclerose. Nesta, ocorre o depósito de materiais «gordos» nas paredes dos vasos que causa o seu estreitamento, endurecimento ou bloqueio. Deste modo, a passagem do sangue é dificultada ou impedida.

 

A aterosclerose é uma doença cardiovascular. É mais comum nas artérias do coração ou cérebro. À aterosclerose das artérias do coração chamamos doença arterial coronária. Quando esta ocorre noutros vasos que não estejam relacionados com este dois órgãos, temos então a doença vascular ou arterial periférica.

 

As pernas são normalmente os membros mais afetados pela doença vascular periférica. No entanto, esta também pode ocorrer nas artérias que levam o sangue aos rins, aos braços, ao estômago e aos intestinos. Quando o sangue não chega aos tecidos que deveria «alimentar» com oxigénio, ocorre isquémia. Se não for tratada ou revertida, a isquémia pode causar a necrose (morte) dos tecidos. Em casos extremos, pode existir necessidade de amputação.

 

Por outro lado, a doença vascular periférica é, por si, um indicador de risco cardiovascular. Estes doentes têm um risco muito mais elevado de vir a sofrer um enfarte ou AVC. Por isso, o aspeto mais importante do tratamento é corrigir os fatores de risco da aterosclerose. O que por sua vez terá impacto na redução do risco cardiovascular global da pessoa.

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Conheça os diferentes tipos de AVC

Entender as causas da doença vascular periférica

 

Como referimos acima, a aterosclerose das artérias periféricas (afastadas do coração e cérebro) é a causa mais comum da doença vascular periférica. O depósito de materiais gordos no interior dos vasos sanguíneos vai acumulando outras substâncias como o cálcio e tecido cicatricial. Esta mistura endurece e forma as chamadas placas de ateroma, características da aterosclerose. Assim, os vasos acabam por ficar mais estreitos, as paredes enfraquecem e podem chegar a ficar totalmente bloqueados por estas placas. Isto dificulta ou impede a circulação sanguínea.

 

Mas existem outras causas para a doença vascular periférica:

 

  • Coágulos de sangue. Estes bloqueiam o vaso tal como a placa de ateroma.

 

  • Diabetes. A hiperglicemia (açúcar elevado no sangue) característica da diabetes danifica os vasos sanguíneos. Por outro lado, as pessoas com diabetes também costumam ter a pressão arterial elevada e níveis altos de materiais gordos no sangue. Todas estas condições facilitam o desenvolvimento da aterosclerose.

 

  • Doenças inflamatórias autoimunes. Estas causam a inflamação das paredes dos vasos, levando ao seu enfraquecimento.

 

  • Infeções. A salmonelose e a sífilis são duas infeções que afetam especialmente os vasos sanguíneos. A inflamação e cicatrização causadas pela infeção enfraquecem, estreitam ou bloqueiam os vasos sanguíneos.

 

  • Problemas congénitos (de nascimento) na estrutura dos vasos sanguíneos, que causam o seu estreitamento.

 

  • Danos dos vasos sanguíneos causados por traumas (acidentes ou quedas).

 

Fatores de risco mais comuns

 

  • História familiar de doença cardíaca, tensão alta, AVC
  • Idade superior a 50 anos
  • Excesso de peso ou obesidade
  • Sedentarismo
  • Tabagismo
  • Diabetes
  • Tensão alta
  • Colesterol LDL elevado (mau colesterol), triglicerídeos elevados e baixo colesterol HDL (bom colesterol)

 

Pessoas com história clínica de doença arterial coronária, ataque cardíaco (enfarte) ou AVC têm mais propensão a desenvolver doença vascular periférica.

 

Sintomas

 

Apenas 60% das pessoas tem sintomas de doença vascular periférica. Esta é uma doença progressiva e normalmente silenciosa. Os sintomas dependem de quais os vasos danificados e da região à qual levam o sangue. E claro, da extensão e gravidade da doença. Os sintomas mais frequentes localizam-se nas pernas e devem-se aos músculos não receberem sangue suficiente.

 

A manifestação mais comum da doença tem o nome de claudicação intermitente. Nesta, é frequente sentir dores nos gémeos, coxas ou ancas ao andar ou subir escadas. Normalmente, a dor pára ao descansar. É uma dor incómoda, semelhante a uma cãibra. Também pode estar associada a uma sensação de peso, aperto ou cansaço nas pernas.

 

Outros sintomas são:

 

  • dor nas nádegas;
  • dormência, formigueiro ou fraqueza nas pernas;
  • sensação de queimadura ou dor aguda nos pés e dedos dos pés em descanso;
  • feridas nas pernas e pés que parecem não sarar;
  • mudança de cor (tom pálido, azulado ou vermelho escuro) e sensação de frio nas pernas e pés;
  • perda de pelos nas pernas;
  • impotência sexual.

 

Ter algum ou vários destes sintomas em descanso é normalmente indicação de doença avançada ou grave. Apesar de não ser uma emergência, é importante vigiar os sintomas e controlar a progressão da doença. Principalmente para evitar a necessidade de amputação de um membro. Por outro lado, se a causa for um coágulo, este pode desprender-se e deslocar-se para o cérebro ou coração, podendo causar um AVC ou enfarte.

 

Diagnóstico e tratamento

 

O diagnóstico é feito pelo médico. Normalmente estuda-se a história clínica do doente. Observam-se os membros inferiores para a existência de feridas ou alterações da cor. Outras técnicas relacionam-se com a medição do pulso, de modo a detectar a localização da obstrução do vaso. Também podem ser feitos ultrassons (teste não invasivo). No caso de o doente poder beneficiar de cirurgia, a angiografia é o teste de eleição. Nesta, é injetado um contraste na corrente sanguínea que permite obter uma imagem interna dos vasos. Como se fosse um mapa.

 

O tratamento depende da extensão e gravidade da doença, bem como das causas associadas. Normalmente temos 2 caminhos a seguir. O primeiro é o de modificar ou eliminar os fatores de risco. O segundo passa por medicação e eventual cirurgia.

 

Modificar ou eliminar os fatores de risco:

 

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Dicas sobre como baixar o colesterol

A medicação terá como objetivo a causa da doença vascular periférica. Normalmente são recomendados fármacos para o colesterol, de modo a combater a aterosclerose. Ou anticoagulantes, de modo a desfazer ou impedir a formação de coágulos.

 

A cirurgia será para doentes com doença grave ou que por algum motivo não consigam modificar os fatores de risco ou aderir aos medicamentos. Passa normalmente por remover diretamente a placa de ateroma ou coágulo que bloqueia o vaso. Ou por técnicas que recuperam ou imitam a estrutura original dos vasos sanguíneos.

 

A doença vascular periférica, quando detetada e controlada a tempo, não tem de supor um grande risco de vida para o doente. A amputação é um dos maiores receios, mas esta só ocorre em cerca de 1 a 3% dos doentes. Dada a estreita relação, com o controlo e eliminação dos fatores de risco, diminui-se também o risco cardiovascular global do doente. Acima de tudo, é importante conhecer as característica da doença e manter-se vigilante. Assim poderá ajudar o seu médico a com um diagnóstico precoce e tomar as rédeas da sua saúde cardiovascular.

 

Por fim, junte-se à comunidade Cardio 365º!

Referências
  • WebMD

  • Revista Portuguesa de Medicina Geral e Familiar

  • American Heart Association (AHA)

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