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O impacto dos distúrbios alimentares na saúde do coração

Os distúrbios alimentares provocam múltiplas complicações, entre as quais problemas cardiovasculares perigosos. Este artigo descreve os distúrbios alimentares mais comuns e o seu impacto na saúde do coração.

De acordo com a American Psychiatric Association (APA), os distúrbios alimentares (ou transtornos alimentares) são transtornos mentais que provocam perturbações nos comportamentos e pensamentos relacionados à alimentação. Além disso, afetam negativamente a qualidade e esperança de vida de quem tem o problema. De uma forma geral, as pessoas com estes distúrbios preocupam-se com a quantidade e a natureza da comida ingerida, bem como com o seu efeito no corpo. Muitas vezes, os distúrbios alimentares ocorrem junto com outros transtornos psiquiátricos, como ansiedade, pânico, transtorno obsessivo-compulsivo e problemas de abuso de álcool e drogas.

 

Um estudo publicado em 2019 no The American Journal of Clinical Nutrition confirma que os distúrbios alimentares são muito prevalentes em todo o mundo. Além disso, a prevalência a nível mundial tem duplicado entre 2013 e 2018 e sabe-se que afeta em especial as mulheres. Em Portugal, houve um total 4.485 hospitalizações associadas a distúrbios alimentares entre 2000 e 2014.

Tipos e sintomas dos distúrbios alimentares mais comuns

Os distúrbios alimentares mais comuns são anorexia nervosa e bulimia nervosa. No entanto, a panóplia de transtornos alimentares é mais ampla e inclui outros transtornos como, por exemplo, a hiperfagia, ortorexia, e vigorexia.

 

  • Anorexia nervosa – caracterizada pelo receio de ganhar peso. O receio é acompanhado por uma aversão à comida/incapacidade de comer, e/ou outras estratégias para perda de peso, quais uso de laxantes e exercício físico excessivo.

 

  • Bulimia nervosa – também caracterizada pelo receio de ganhar peso, concretiza-se em ciclos de compulsão alimentar seguidos por atos de eliminação de calorias que geralmente incluem vomito autoinduzido, uso de laxativos ou diuréticos, exercício excessivo e jejum.

 

  • Hiperfagia – ingestão excessivas de alimentos que ultrapassa as necessidades do organismo.

 

  • Ortorexia – obsessão com a alimentação saudável que pode chegar ao ponto de eliminar grupos alimentares da dieta.

 

  • Vigorexia – Transtorno obsessivo-compulsivo caracterizado pelo receio de não ter suficiente massa muscular, que resulta numa dieta não equilibrada e potencial abuso de suplementos/esteroides.

Os efeitos dos distúrbios alimentares na saúde do coração

As complicações associadas a estes distúrbios são inúmeras. A  anorexia, bulimia e ortorexia podem provocar desnutrição e desidratação e, por consequência, redução da densidade óssea, perda de fraqueza muscular e insuficiência renal. Além disso, a anorexia muda progressivamente o músculo cardíaco, resultando em uma frequência cardíaca anormalmente lenta (bradicardia) e baixa tensão arterial. O risco de insuficiência cardíaca aumenta à medida que a frequência cardíaca e a tensão arterial baixam.

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Bradicardia: quando o coração bate devagar

A bulimia provoca desequilíbrios que podem causar batimentos cardíacos irregulares (arritmias) e, possivelmente, insuficiência cardíaca e morte. Os desequilíbrios eletrolíticos são causados pela desidratação e perda de potássio, sódio e cloreto do corpo que resultam dos comportamentos de eliminação dos alimentos.

 

A hiperfagia, caracterizada pelo consumo compulsivo de comida, pode levar à diabetes tipo 2 e a problemas na vesícula biliar. Em termos cardiovasculares, a hiperfagia pode provocar tensão alta, níveis elevados de colesterole elevados níveis de triglicéridos. Por outro lado, o consumo excessivo de suplementos alimentares/esteroides associados à vigorexia pode resultar em insuficiência renal e hepática. Da mesma forma, podem existir problemas cardíacos devido à excessiva atividade física bem como um risco acrescido de enfarte.

 

Um dos maiores desafios para as pessoas com distúrbios alimentares é aceitarem que têm um distúrbio. Os problemas de saúde resultantes podem ser apresentados a especialistas sem resolver o problema subjacente que não é apenas ligado à comida, mas a um transtorno mental subjacente. A probabilidade de recuperação aumenta quanto mais cedo o distúrbio alimentar for detetado. Portanto, é importante estar ciente de alguns dos sinais de alerta de um transtorno alimentar.

 

Sinais de alerta

 

  • Progressiva importância dada a pensamentos ligados a perda de peso, alimentos, e/ou controlo dos alimentos;
  • Recusa em comer certos alimentos ou categorias inteiras de alimentos;
  • Desconforto em comer com outras pessoas;
  • Rituais alimentares
  • Exercício compulsivo
  • Sintomas físicos como, por exemplo, flutuações importantes de peso, problemas gastrointestinais, dificuldades em se concentrar/dormir, irregularidades menstruais, sensação constante de frio.

 

Caso se identifique com vários desses sintomas ou tenha a dúvida de ter um distúrbio alimentar, não hesite a contactar um profissional de saúde. Quanto mais cedo, melhor!

 

Por fim, junte-se à comunidade Cardio 365º!

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