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Doença de Alzheimer, uma doença vascular?

A doença de Alzheimer é a forma mais comum de demência. Apesar dos esforços de investigação, ainda não foi possível conhecer a sua causa. No entanto, alguns estudos sugerem que a Alzheimer pode ser uma doença vascular. Leia o artigo e fique a saber o porquê.

A doença de Alzheimer afeta as áreas do cérebro responsáveis pelo pensamento, a memória e a linguagem. Atualmente é classificada como uma doença neurodegenerativa. Ou seja, existe deterioração e morte (degeneração) dos neurónios cerebrais. Isto provoca alterações no comportamento e funcionamento do doente. O grande obstáculo à descoberta de uma cura é não se saber a sua causa exata. No entanto, alguns estudos sugerem que o processo neurodegenerativo pode ser causado por doença vascular.

O que é a doença de Alzheimer?

A doença de Alzheimer representa 50 a 70% de todos os casos de demência, sendo a sua forma mais comum. Acontece quando se dá a morte progressiva das células do cérebro. À medida que as células cerebrais morrem, vão surgindo outros tecidos: as tranças neurofibrilhares e as placas senis. Isto impede que as células cerebrais ainda saudáveis comuniquem e se conectem entre si. Ou seja, estas acabam também por morrer.

 

A morte lenta das células do cérebro leva a uma deterioração progressiva e irreversível de inúmeras funções:

 

  • memória
  • atenção
  • concentração
  • linguagem
  • pensamento

 

Como consequência, o comportamento, a personalidade e a capacidade funcional da pessoa são completamente alteradas. O que dificulta e chega mesmo a impedir a realização normal das atividades do dia a dia.

 

Tipos de doença de Alzheimer

 

Existem 2 tipos de doença de Alzheimer:

 

  • Esporádica. É a forma mais comum e ocorre habitualmente em pessoas com mais de 65 anos. Está associada ao gene ApoE14, mas não parece ser hereditária. Ainda assim, 50% das pessoas que têm este gene nunca desenvolvem a doença durante a vida.

 

  • Familiar. É uma forma rara que afeta um número muito reduzido de pessoas. Aqui existe hereditariedade. Ou seja, a doença é transmitida de pais para filhos. Se um dos progenitores tem uma mutação num gene, cada filho terá 50% de probabilidade de a herdar. Ter este gene significa a possibilidade de vir a ter doença de Alzheimer entre os 40 e 60 anos.

 

Quem pode ter doença de Alzheimer?

 

Qualquer pessoa pode vir a ter doença de Alzheimer. Não é algo natural do envelhecimento, mas a idade é o fator de risco mais conhecido para tal. É mais comum em pessoas com mais de 65 anos e a probabilidade aumenta com a idade. Noutros casos, a história familiar pode ter um papel no desenvolvimento da doença.

 

Existem cada vez mais evidências de que alguns dos fatores de risco associados à doença cardiovascular, como a hipertensão arterial (tensão alta) e colesterol elevado possam aumentar o risco de vir a desenvolver doença de Alzheimer.

 

Por outro lado, acredita-se que o risco de Alzheimer pode diminuir com a prática de atividade física, a estimulação mental e o convívio social.

 

Causas da doença de Alzheimer

 

Ao longo dos anos, os investigadores têm conseguido identificar várias características da doença. No entanto, ainda não foi possível concluir qual a causa concreta da Alzheimer.

 

Algumas causas prováveis incluem fatores ambientais, perturbações bioquímicas, processos imunitários e doença vascular. Pode dever-se a um ou vários fatores e normalmente varia de pessoa para pessoa.

Doença vascular e Alzheimer

O que é a doença vascular

 

A doença vascular é qualquer doença que afete a rede de vasos sanguíneos do nosso corpo. Ou seja, o sistema circulatório. É nestes vasos que o sangue circula por todo o organismo. Cada batida do coração envia sangue com oxigénio e nutrientes a todos os órgãos e tecidos.

 

Uma doença vascular pode ir desde problemas nas artérias e veias (obstrução, rompimento, enfraquecimento) a dificuldades na circulação do sangue. Isto pode ter como consequência a interrupção da chegada do sangue a determinados sítios do corpo. Ao não receberem oxigénio e nutrientes, os tecidos entram em isquemia (falta de sangue) e morrem.

 

Alguns tipos de doença vascular são:

 

  • aterosclerose, onde a acumulação de placas de ateroma devido ao colesterol elevado causa o entupimento das artérias;

 

  • doença arterial periférica, onde existe o estreitamento ou colapso dos vasos sanguíneos dos membros inferiores (pés e pernas).

 

A doença vascular está intimamente relacionada com fatores de risco como:

 

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Relação com a doença de Alzheimer

 

Alguns estudos têm vindo a demonstrar que a presença de fatores de risco vasculares durante a meia idade aumenta o risco de desenvolver demência na velhice. Particularmente a doença de Alzheimer que, como vimos anteriormente, é a forma mais comum de demência.

 

Ainda é necessária muita investigação para determinar a doença de Alzheimer como sendo uma doença vascular. No entanto existem algumas evidências que apontam nesse sentido:

 

  • vários estudos demonstram que a maioria dos fatores de risco para desenvolver doença de Alzheimer têm um componente vascular que causa a diminuição do fornecimento de sangue ao cérebro;

 

  • existe uma associação direta entre os fatores de risco da doença de Alzheimer e os da demência vascular. Os sintomas cognitivos e as lesões cerebrais em ambas as doenças também são muito semelhantes;

 

  • a maioria da medicação usada para reduzir os sintomas ou o avanço da Alzheimer melhora o fornecimento de sangue ao cérebro;

 

  • em estudos para identificar doentes com probabilidade de vir a desenvolver Alzheimer, foi identificado baixo fornecimento de sangue em determinadas regiões cerebrais;

 

  • a doença de Alzheimer tem vindo a ser confirmada como derivada de múltiplos e diversos fatores, que resultam provavelmente da presença de fatores de risco e indicadores de doença vascular.

 

Todos estes dados apontam para a elevada probabilidade de a doença de Alzheimer esporádica poder vir a ser classificada como doença vascular. No entanto, é verdade que os dados recolhidos até hoje têm algumas limitações. É necessário apostar-se na investigação da doença de Alzheimer e promover mais estudos que possam confirmar estas evidências. A partir do momento em que os cientistas conseguirem determinar a causa ou o conjunto de fatores que espoletam a doença, estaremos mais perto de encontrar uma cura.

 

Por fim, junte-se à comunidade Cardio 365º!

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