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Aterosclerose e doenças cardiovasculares

Silenciosa durante muito tempo e de progressão lenta, a aterosclerose é uma das principais causas de problemas cardíacos. A adoção de um estilo de vida saudável é fundamental para prevenir o seu aparecimento e desenvolvimento.

À formação de ateromas – placas na parede das artérias – dá-se o nome de aterosclerose e é importante falar dela, porque é «a causa dominante das doenças cardiovasculares, incluindo o enfarte do miocárdio, a insuficiência cardíaca, o AVC e a doença vascular arterial periférica», afirma Paulino Sousa, coordenador de Cardiologia do Hospital CUF Porto. Silenciosa, esta doença «é um processo de progressão lenta de alterações nos vasos sanguíneos ao longo da vida que pode ter início na infância e agravar-se com o aumento da idade», acrescenta.

Aterosclerose e doenças cardiovasculares

Depósitos de gordura

 

A placas de ateroma formam-se através de «depósitos de gordura, principalmente de colesterol, hidratos de carbono, sangue e produtos sanguíneos, tecido fibroso e depósitos de cálcio, na camada íntima das artérias. Os depósitos de colesterol associados à proliferação celular podem tornar-se grandes, ao ponto de a placa se projetar para o interior do vaso, reduzindo acentuadamente o fluxo sanguíneo e o aporte de oxigénio e nutrientes, criando estrangulamentos (estenoses) de gravidade progressiva, podendo mesmo causar a oclusão completa do vaso. Quando afetam e enfraquecem a camada média das artérias, podem contribuir para a formação de aneurismas. É uma doença que afeta artérias de média e grande dimensão, em particular a aorta abdominal infrarrenal, as coronárias, as poplíteas, as carótidas e o círculo de Willis», explica o médico cardiologista.Paulino Sousa adianta ainda que, «à medida que as placas ateroscleróticas crescem, uma cápsula fibrosa desenvolve-se para as revestir; quando as placas são danificadas e se rompem, o material pró-trombótico é exposto à corrente sanguínea, ativando localmente o sistema de coagulação, podendo levar à interrupção abrupta do fluxo sanguíneo via formação de um trombo, um coágulo, responsável por quadros de enfarte ou AVC».

 

Convém ainda, salienta o cardiologista, não confundir aterosclerose com arteriosclerose, doença comum que afeta as pequenas artérias e arteríolas, um processo difuso onde as fibras musculares e o revestimento da parede das artérias se tornam mais espessos, contribuindo para um «endurecimento» dos vasos.

 

Fatores de risco

 

A aterosclerose progride lentamente ao longo da vida e a idade; pertencer ao sexo masculino ou ter história familiar da doença são os fatores de risco não modificáveis para esta doença. No entanto, a adoção de um estilo de vida saudável é fundamental para prevenir o seu aparecimento e consequente desenvolvimento. O tabagismo, a hipertensão arterial, a diabetes, a dislipidemia, uma dieta desequilibrada, o stresse e a inatividade física contribuem para o seu surgimento.

 

A sua causa não é completamente conhecida, mas há quem atribua a sua formação, como esclarece Paulino Sousa, «a uma resposta inflamatória crónica da parede arterial iniciada por lesões no tecido que reveste as artérias, em geral, nas zonas de maior turbulência do fluxo sanguíneo; em particular, nas bifurcações, na presença de anormalidades lipídicas (aumento do colesterol LDL, aumento da lipoproteína, redução do colesterol HDL) e de outros fatores de risco, tais como tabagismo, toxinas, micróbios, homocisteína e mediadores inflamatórios».

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Sintomas e tratamento

 

O cardiologista sublinha que a «aterosclerose torna-se sintomática em função do grau de défice circulatório que provoca a jusante das estenoses, no caso de surgimento de aneurismas ou em caso de ocorrência de fenómenos de aterotrombose. Quando sintomática, a doença afeta sobretudo o coração (angina de peito e enfarte do miocárdio), o cérebro (AVC), a aorta (aneurismas, estenoses na origem de vasos importantes condicionadoras de isquemia – sofrimento circulatório visceral) e as extremidades dos membros inferiores (claudicação intermitente – dor na barriga das pernas ao caminhar, gangrena)». Daí que seja de extrema importância não adiar os cuidados de saúde e, sobretudo, garantir um acompanhamento médico regular.

 

Não existe cura para a aterosclerose, mas o tratamento pode diminuir a velocidade de progressão ou interromper o  seu agravamento. «O objetivo principal consiste em prevenir um estreitamento significativo das artérias para que os sintomas não se desenvolvam e os órgãos vitais não sejam lesados. Para o conseguir, deve-se começar por ter um estilo de vida saudável», refere Paulino Sousa. A partir do momento em que se tenha desenvolvido alguma lesão de órgãos relacionada com a aterosclerose, «o tratamento depende do órgão envolvido, existindo medicamentos eficazes para controlar a doença coronária, os acidentes isquémicos transitórios e a doença arterial periférica. Esses tratamentos podem ser meramente medicamentosos ou implicar a realização de intervenção vascular percutânea com implantação de próteses endovasculares, cirurgia ou tratamentos de revascularização híbrida».

 

Como diagnosticar

 

O diagnóstico da aterosclerose implica vários passos, como nos diz Paulino Sousa, coordenador de Cardiologia do Hospital CUF Porto:

 

  • História clínica e exame físico, que, em fases iniciais, da doença, pode ser normal.
  • Análises laboratoriais, que são importantes na identificação e monitorização dos fatores de risco.
  • Estudos de ultrassons com doppler para avaliar a circulação sanguínea no coração, no cérebro ou nas pernas. A medida ultrassonográfica da espessura das camadas íntima e média das artérias carótidas é um teste de grande potencial para a avaliação não invasiva da doença aterosclerótica.
  • Quantificação de score de cálcio coronário por tomografia computorizada, que permite também avaliar de forma não invasiva a extensão da aterosclerose coronária calcificada, o risco cardiovascular e os pacientes que mais beneficiam da terapêutica com estatinas.
  • Eletrocardiograma, ecocardiograma, teste de esforço, exames de angiografia por tomografia computorizada, de medicina nuclear, de angiorressonância ou mesmo de angiografia invasiva também podem ser aconselhados.

 

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Referências
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