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A inteligência artificial ao serviço da cardiologia

Uma nova descoberta italiana mostra que um método matemático-computacional pode ajudar a prever a recidiva de um enfarte agudo do miocárdio ou de uma hemorragia provocada pelos tratamentos usados naquela doença.

E se lhe disséssemos que a inteligência artificial pode prever, com uma eficácia de 90%, um segundo enfarte agudo do miocárdio ou uma hemorragia após um primeiro ataque cardíaco? Esta foi a grande conclusão de um estudo realizado no departamento de Cardiologia do Hospital Molinette da Cidade da Saúde de Turim, em Itália, em colaboração com a universidade e o politécnico da mesma cidade, e que foi divulgado pela revista científica The Lancet.

 

 

Mas já lá vamos, primeiro convém lembrar por que razão esta investigação é de extrema relevância: as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no mundo, de acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). E Portugal não é exceção. Se olharmos para a situação do nosso país, os dados do Ministério da Saúde mostram que os problemas cardiovasculares são responsáveis por 29,5% das mortes, encabeçados pelo AVC, seguido do enfarte agudo do miocárdio, que mata em média 12 pessoas por dia.

O que é um enfarte

O ataque cardíaco é uma doença coronária que ocorre quando uma das artérias do coração fica subitamente bloqueada por um trombo ou coágulo, fazendo com que o músculo cardíaco fique privado de oxigénio e nutrientes. Com isso, as células cardíacas deixam de funcionar e começam a morrer. Daí que, quanto mais rapidamente o doente for tratado, menos músculo cardíaco se irá perder e menores serão as sequelas do evento. A rápida intervenção é, por isso, essencial, não só para reduzir o risco de morte, mas também de reincidência e de outras consequências. 

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Quais os sintomas do enfarte do miocárdio?

A angioplastia coronária é a reposta quando o doente chega ao hospital e este procedimento, de acordo com a Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), «começa com uma incisão no pulso ou na virilha para a inserção de um cateter que tem por objetivo tratar a obstrução da artéria coronária que está a causar o enfarte. Quase sempre, este procedimento termina com a implantação de um stent, um pequeno tubo de rede metálica que manterá a artéria aberta e permitirá o restabelecimento do fluxo sanguíneo».

A importância da monotorização e o papel da inteligência artificial

Depois da intervenção, o doente tem de ser monitorizado. Se, por um lado, como realça a investigação acima citada, é importante limitar a possibilidade de o processo de coagulação levar a uma nova obstrução de uma artéria, o que pode originar um novo enfarte, por outro, tem de se ter em atenção que o sangue excessivamente fluido poderá provocar hemorragias. É aqui que a inteligência artificial tem uma palavra a dizer, ajudando os cardiologistas nesta monotorização para evitar as duas situações atrás referidas.

 

O desenvolvimento da machine learning juntou a área de cardiologia do Hospital Molinette da Cidade da Saúde de Turim, o Departamento de Informática da Universidade de Turim e os de Mecânica e Aeroespacial do Instituto Politécnico da mesma cidade do norte de Itália. O coordenador do estudo, o cardiologista Fabrizio D’Ascenzo, recorda que «nos 2 primeiros anos, os doentes têm um altíssimo risco, quer de uma recidiva do enfarte, quer de uma hemorragia associada aos medicamentos que mantêm a fluidez do sangue e que a decisão sobre a melhor terapia deve equilibrar esses 2 riscos, algo que o cardiologista faz tendo em conta a sua experiência e intuição clínica, auxiliado por classificações de risco clínico. No entanto, essas classificações estatísticas são imprecisas e, portanto, de ajuda modesta, mesmo para um cardiologista experiente. Por isso, tentámos melhorar a situação, usando dados clínicos de 23 mil dientes, a maioria da região de Piemonte», para chegar ao novo método matemático-computacional.

 

Os resultados do estudo mostram que o uso da inteligência artificial reduz a hipótese de um diagnóstico errado. Com o seu uso, subiu para 90 por cento a possibilidade de identificar um novo enfarte ou uma hemorragia, algo que se situava nos 70 por cento no método tradicional. Em Turim, o entusiasmo com a descoberta é elevado e, de acordo com os médicos e cientistas que estão a liderar a investigação, é mais um passo para a confirmação da ajuda preciosa que a inteligência artificial pode ter na medicina, e na cardiologia em particular, com o objetivo de garantir o melhor tratamento para cada doente.

 

Depois de um enfarte é muito importante que os pacientes adotem um estilo de vida saudável de forma a diminuir o risco cardiovascular. A Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular salienta ainda a importância de não faltar às consultas, da toma da medicação prescrita pelo médico e da adesão a um programa de reabilitação cardíaca.

 

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Referências
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