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O que é considerado um distúrbio do sono?

Quando as noites mal dormidas ou até passadas em branco são uma constante, podemos estar perante um distúrbio do sono. Mas quando e o que é que se considera um distúrbio do sono?

Uma boa noite de sono é essencial para uma vida longa e saudável. Por isso, dormir é, muitas vezes, subvalorizado. O trabalho acumula-se, os estímulos para ficar acordado até tarde são muitos e vamos roubando horas de sono ao nosso corpo. Às vezes tentamos dormir e, simplesmente, não pregamos olho. Outras vezes adormecemos, mas o sono é tão leve que acordamos frequentemente. Nunca descansamos realmente. Podemos estar a sofrer um distúrbio do sono.

A importância do sono

Dormir bem é tão importante como fazer uma alimentação equilibrada e praticar exercício físico. Durante o sono, o corpo descansa e regenera-se. Na fase de sono profundo, dá-se a reparação celular. O sistema imunitário reforça-se, as energias retemperam-se para o dia seguinte. O cérebro cria memórias e assimila coisas aprendidas.

 

Em geral, um adulto deveria dormir cerca de 8 horas de qualidade por noite. Idealmente, este é o tempo necessário para que durante o dia nos sintamos com energia. Ou sem sonolência nem necessidade de fazer uma sesta. Ainda assim, cada pessoa deverá encontrar o tempo certo para si.

 

… mas quando o sono não vem

 

Quando não dormimos ou dormimos mal, acordamos fatigados, com irritabilidade e dificuldade de concentração. A longo prazo, a privação do sono pode mesmo levar a depressão. Está também associada a um risco aumentado de obesidade, diabetes e doenças cardiovasculares. O cansaço diurno e sonolência são causadores de inúmeros acidentes de viação. Alguns estudos demonstram que conduzir com sonolência assemelha-se a conduzir sob o efeito do álcool.

 

Nem um estimulante como a cafeína pode contrariar os efeitos nefastos da privação do sono. É essencial criar uma rotina e adquirir hábitos que nos permitam obter uma boa qualidade do sono. Só assim conseguiremos recuperar a nossa saúde de um modo geral.

 

Todos nós, em alguma ocasião pontual, já tivemos problemas para conciliar o sono. Stresse, ansiedade, épocas mais exigentes… No entanto, quando a situação se alonga no tempo e começa a interferir com as tarefas do dia a dia, há que prestar atenção.

 

Existe uma elevada prevalência de distúrbios do sono na nossa população. O cansaço e sonolência diurna não são sintomas normais. Se mesmo com a aquisição destas rotinas simples, a dificuldade em adormecer persistir, aconselhamos a consulta de um especialista. Podemos estar perante um distúrbio do sono que exija um olhar mais aprofundado.

Será um distúrbio do sono?

Um distúrbio do sono é toda e qualquer condição que afete a capacidade de adormecer e/ ou de dormir bem, de forma regular. Pode ser causado por um problema de saúde, por acumulação de stresse e ansiedade ou por maus hábitos na hora de ir dormir, que afetam a qualidade do sono.

 

Principais distúrbios do sono

 

Segundo a International Classification of Sleep Disorders (Classificação Internacional de Distúrbios do Sono), existem mais de 70 tipos de distúrbios do sono. Estes são os mais prevalentes na população:

 

  • insónia;
  • apneia do sono;
  • narcolepsia;
  • distúrbios do ritmo circadiano;
  • síndrome das pernas inquietas;
  • parassónias.

 

Insónia

 

É o distúrbio do sono mais frequente. Cerca de 50% da população já teve pelo menos uma insónia. Caracteriza-se por:

 

  • dificuldade em adormecer;
  • despertar a meio da noite com dificuldade em retomar o sono;
  • despertar demasiado cedo pela manhã.

 

Define-se como insónia crónica quando os sintomas ocorrem pelo menos 3 vezes por semana durante no mínimo 3 meses. Pode estar associada a doenças como a depressão e a ansiedade. Mais do que usar medicação sedativa, a terapia pode ser uma boa solução de tratamento. Mas só um especialista o poderá definir.

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76.

A insónia é inimiga do coração?

Apneia do sono

 

Acontece quando as vias aéreas são total ou parcialmente obstruídas durante o sono. Deste modo, o respirar é dificultado ou mesmo impedido, o que leva ao despertar. Está muito associada a problemas como:

 

  • consumo excessivo de álcool ou tabaco;
  • alterações anatómicas da cabeça, rosto e pescoço;
  • obesidade.

 

Também pode estar relacionada com a idade e com a toma de alguns medicamentos. O ressonar é um sintoma normalmente associado à apneia do sono.

 

As pessoas com apneia do sono apresentam maior risco de desenvolver problemas cardiovasculares. Hipertensão arterial (tensão alta), arritmias, doença coronária e acidentes vasculares cerebrais (AVCs) são frequentes.

 

Narcolepsia

 

Este distúrbio do sono caracteriza-se por episódios de adormecimento repentino durante o dia e dificuldade em dormir de noite.  Está relacionado com a destruição dos neurónios cerebrais que produzem a hormona hipocretina. Esta hormona é responsável por nos manter acordados. Acredita-se que a origem desta destruição seja algum tipo de doença autoimune.

 

As pessoas com narcolepsia podem adormecer em qualquer altura e em qualquer lugar. A meio de uma conversa, no trabalho, durante uma refeição e até mesmo a caminhar. O episódio pode durar alguns segundos ou minutos.

 

Distúrbios do ritmo circadiano

 

O ritmo circadiano é o nosso «relógio interno». É um ciclo que dura 24 horas e é controlado pelos momentos de luz e ausência de luz ao longo do dia. Por exemplo, a ausência de luz diz ao corpo que ele deve dormir. As pessoas com distúrbios do ritmo circadiano podem ter dificuldade em:

 

  • adormecer;
  • manter o sono;
  • voltar a adormecer depois de acordar demasiado cedo;
  • conseguir um sono reparador.

 

Normalmente, as causas estão associadas a diferentes situações, tais como:

 

  • trabalho por turnos;
  • gravidez;
  • viagens para zonas horárias muito diferentes;
  • certos medicamentos;
  • doenças como Alzheimer, Parkinson ou do foro mental;
  • menopausa;
  • maus hábitos de sono como adormecer de madrugada e dormir até tarde.

 

Os distúrbios do ritmo circadiano mais comuns são:

 

  • Jet lag

Quando se viaja para zonas horárias muito diferentes da que estamos habituados, é frequente ocorrer uma desregulação do sono.

 

  • Distúrbio do sono dos trabalhadores por turnos

Pessoas que trabalham por turnos ou que trabalham durante a noite dormem normalmente menos 4 horas por dia do que as pessoas com um horário regular.

 

  • Síndrome do atraso das fases do sono

Comum em adolescentes e jovens adultos. Caracteriza-se por um adormecer tardio e dificuldade em acordar cedo.

 

  • Síndrome do avanço das fases do sono

Neste caso, as pessoas adormecem demasiado cedo (entre as 18 e as 21 horas, por exemplo). Por isso, acabam por acordar de madrugada (entre a 1 e as 5 horas).

 

Síndrome das pernas inquietas

 

A síndrome das pernas inquietas (SPI) é uma doença associada a uma deficiência nos níveis de ferro. É comum na gravidez e nos doentes com insuficiência renal crónica. Pode também estar ligada à apneia do sono.

 

Caracteriza-se pela necessidade incontrolável de mover as pernas devido a uma sensação incómoda de comichão, queimadura e peso. Esta sensação é aliviada pelo movimento. Os sintomas acontecem em repouso, principalmente ao final do dia e durante a noite.

 

Mais de 80% dos doentes com esta síndrome mexem as pernas durante o sono. Estas características dificultam o adormecer e a manutenção do sono, já que os despertares são frequentes.

 

Parassónias

 

As parassónias são distúrbios que causam movimentos anormais durante o sono, como por exemplo:

 

  • sonambulismo;
  • falar durante o sono;
  • gemidos e ronquidos;
  • pesadelos;
  • enurese noturna (fazer xixi na cama);
  • bruxismo.

 

O sono é, para o corpo humano, uma espécie de «ligação à corrente» para recarregar baterias. Muitos problemas simples de saúde acabam por se resolver com boas noites de sono regulares. Se há muito tempo que não tem uma noite tranquila e reparadora, comece por experimentar alguns dos hábitos que descrevemos acima.

 

Por outro lado, se se identifica com algum distúrbio do sono aqui descrito, pense em consultar um especialista. Ele poderá fazer o diagnóstico correto e definir o tratamento mais adequado para o seu caso. Com paciência, terá o seu sono reparador de volta. Bom descanso!

Referências
  • National Health System UK (NHS)

  • Associação Portuguesa do Sono

  • Healthline

  • WebMD

  • Encyclopedia Britannica

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